Glossário do teatro de marionetes

Vocabulário do ofício, das técnicas de manipulação às ferramentas de bancada. Termos em ordem alfabética; nomes de tradições estrangeiras aparecem com transliteração corrente.

Articulação de batente
Encaixe que limita a dobra a um único sentido, impedindo, por exemplo, que o joelho dobre para frente. Detalhe pequeno e decisivo para o realismo do andar.
Bunraku
Teatro japonês de bonecos formalizado no século XVII, em que cada figura principal é manipulada por três operadores visíveis, com narração cantada (tayū) e acompanhamento de shamisen. Nome moderno do ningyō jōruri.
Cruzeta (controle)
Estrutura de madeira, horizontal ou vertical, à qual se prendem os fios da marionete e por onde o manipulador comanda a peça. É o instrumento do marionetista, no sentido em que o arco é o instrumento do violinista.
Dalang
No teatro de sombras indonésio, o artista único que manipula todas as figuras, narra, faz todas as vozes e dá as deixas para a orquestra de gamelão.
Empanada
Estrutura de pano que esconde o mamulengueiro e serve de palco elevado para os bonecos de luva. Equivalente popular brasileiro do castelet europeu.
Fantoche
Boneco vestido como uma luva, animado diretamente pela mão do manipulador, sem fios nem varas. Em uso corrente no Brasil, é sinônimo aproximado de boneco de luva.
Fio de cabeça
Par de fios preso às têmporas do boneco; sustenta a maior parte do peso e comanda a inclinação e o giro da cabeça. Primeiro par a ser instalado e ajustado.
Fio de costas
Fio ligado à parte superior das costas ou entre os ombros; define a postura do tronco e é o principal responsável por a marionete parecer ereta ou curvada.
Goiva
Formão de lâmina curva usado no entalhe para remover volume e criar côncavos. A goiva em V, de perfil angular, serve para riscar linhas e detalhes finos.
Manipulação à vista
Convenção contemporânea em que o manipulador permanece visível ao público durante toda a cena. Herdada do bunraku e hoje corrente no teatro adulto.
Mamulengo
Teatro popular de bonecos de luva do Nordeste brasileiro, com núcleo em Pernambuco. Improvisado sobre enredos fixos, satírico, acompanhado por música ao vivo. Registrado como patrimônio cultural do Brasil.
Marionete de fios
Boneco articulado suspenso e comandado por fios a partir de uma cruzeta, manipulado de cima. É a forma a que este site se dedica principalmente.
Marote (bonecos de vara)
Figura comandada de baixo por uma haste central presa ao corpo ou à cabeça, com varinhas auxiliares para as mãos. Permite gestos amplos e é comum no teatro de rua.
Neurospasta
Termo grego antigo para figuras "puxadas por cordas", usado em referências de Heródoto, Platão e Aristóteles. Evidência mais antiga do dispositivo no mundo mediterrâneo escrito.
Opera dei pupi
Teatro siciliano de marionetes armadas, comandadas por haste rígida na cabeça, que encena os ciclos carolíngios em episódios encadeados. Patrimônio imaterial reconhecido pela UNESCO.
Piyingxi
Teatro de sombras chinês, com figuras de couro finamente recortadas e coloridas, projetadas em tela iluminada por trás.
Punch and Judy
Espetáculo popular inglês de bonecos de luva derivado do Pulcinella napolitano, cujo primeiro registro conhecido em Londres data de maio de 1662, no diário de Samuel Pepys.
Respiração (manipulação)
Micromovimento vertical contínuo aplicado ao boneco parado para sugerir vida. É a primeira coisa a treinar e a que mais separa amador de manipulador.
Tayū
Narrador do bunraku, responsável por todas as vozes e pela condução dramática do texto, em estilo declamado-cantado.
Teatro de sombras
Família de técnicas em que figuras planas e opacas são projetadas contra uma tela iluminada, de modo que o público vê a silhueta, não o objeto.
Vara de comando
Haste rígida presa à cabeça ou ao corpo do boneco, usada em substituição ou complemento aos fios. Dá controle direto e firme, ao custo de menos leveza no movimento.
Wayang kulit
Teatro de sombras indonésio com figuras de couro perfurado, patrimônio imaterial da humanidade, tradicionalmente executado em sessões noturnas com acompanhamento de gamelão.

Ferramentas de bancada, em resumo

Para quem está montando o primeiro conjunto: faca de entalhe (lâmina curta, bisel alto), goiva pequena de 3 a 6 mm, goiva em V, serrote de costa, furadeira manual ou micro-retífica com brocas de 1 a 3 mm, alicate de bico fino, agulha longa para passar fios, lixas de grão 120 a 320 e uma pedra de afiar. Detalhes de uso na página de técnica.